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terça-feira, 27 de julho de 2010

Pastores ou Lobos?


“O pastoreio, por natureza, requer líderes que sejam exemplares, confiáveis; modelos de temperamento dócil. Tratáveis, pacificadores e cuidadores de gente”
Um pastor meu conhecido teve reprovada sua ficha de locação de um imóvel. O motivo? Ele informou que sua profissão era pastor. O funcionário da imobiliária comunicou-lhe que haviam recusado sua proposta porque tiveram muitos inquilinos caloteiros cuja ocupação era justamente a de pastor.

A imprensa tem noticiado, com maior ou menor alarde, falcatruas e crimes atribuídos a supostos pastores, bispos e apóstolos – gente que, de alguma forma, exerce autoridade sobre grupos evangélicos. A oferta de bens simbólicos da salvação por intermédio da teologia da prosperidade também tem sido uma ótima oportunidade para “negócios” lucrativos. Há poucos dias, saiu num dos maiores jornais brasileiros um anúncio de emprego para pastor. Entre as qualificações exigidas, figurava “experiência em avivamento”. Avivamento espiritual não deve ser, pois quem procuraria em jornal alguém com tal qualidade?

O pastoreio, por natureza, requer líderes que sejam exemplares; confiáveis; modelos de temperamento dócil; tratáveis; pacificadores; cuidadores de vida, de gente. Mas parece que hoje a tendência tem se deslocado para o âmbito dos negócios e do interesse pessoal pela riqueza, pelo oportunismo. Mesmo porque as pessoas confiam no “homem de Deus” e nele depositam toda sua credulidade. E num país em que a classe média endividada e sem esperança vê nas igrejas do mercado religioso uma oportunidade – não para a salvação, mas para o seu livramento das dívidas, – abrem-se as portas do redil para a entrada de lobos devoradores que, em vez de pastorearem vidas, sugam os recursos dos fiéis com um oportunismo inimaginável.

Se, em tempos passados, qualquer ministro do Evangelho tinha um “orgulho santo” em dizer que era pastor, hoje, aqueles que levam a sério sua missão sentem-se envergonhados, pois acabam confundidos com esses lobos vorazes. Ser pastor hoje pode ter vários significados: esperteza, enriquecimento ilícito, falcatrua, oportunismo, egoísmo, engano – exatamente o contrário do que é a natureza da própria função. Lobos também são aqueles líderes que se utilizam de suas ovelhas como mão de obra útil e barata para que seus planos mirabolantes sejam concretizados. E é a mesma ovelha quem paga a conta...

Não é à toa que Jesus fala do bom pastor, aquele que conhece suas ovelhas e chama-as pelo nome, não apenas por tê-lo memorizado, mas por conhecer seu coração, seus anseios, seus ideais. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas, em vez de sacar delas até a sua alma e se enriquecer prometendo bênçãos celestiais em troca de dinheiro e bens.

Os alertas proféticos do Antigo Testamento denunciavam os pastores que desviavam as ovelhas do seu caminho. Pastor é guia, orientador, e não um lobo devorador. Pelo jeito como as coisas estão andando, talvez já esteja na hora de começarmos a pensar: definitivamente, já não se fazem mais pastores como antigamente.

Lourenço Stélio Rega

Fonte: www.eclesia.com.br

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